

A nova distribuição
de conteúdo
por Alexandre Fugita do techbits.com.br
Dias atrás, quando defendi o YouTube frente à TV digital, alguns não entenderam que a minha crítica ia para a forma de distribuição de conteúdo. Não acho que os tradicionais produtores de conteúdo vão deixar de existir. Acho que terão de formular uma nova forma de distribuição. O Tiago Dória, comentando o caso da Madonna que vai abandonar a tradicional Warner pela Live Nation, tirou as palavras do meu teclado:
“(…) na parte de distribuição [as gravadoras], já perderam o bonde da história para a internet - já não têm controle sobre como e onde o seu conteúdo será distribuído. Aliás, o que a internet vem mudando é muito mais a indústria da distribuição do que a de produção de conteúdo.”, Tiago Dória
Somos ladrões?
A indústria de entretenimento considera seus consumidores ladrões.
Processam pessoas que querem seu produto, mas que estão cansadas da
mídia física, que exige, por exemplo, comprar várias
músicas ruins quando só queremos uma única faixa. Quando
colocam em lojas virtuais como a iTunes, enchem o arquivo de DRM. Ao invés
de confiar naqueles que geram sua receita, desconfiam. Sua incompetência
em entender que o mundo mudou é transformada em processos. Não
é à toa que a troca ilegal de arquivos pela internet corre solta.
O blog Torrent Freak diz que uma banda de rock propôs que todos nós roubemos mesmo música das gravadoras, pois para a banda, dinheiro da venda de CDs nunca aparece. A idéia é mais ou menos essa: se algum fã quer mesmo que o dinheiro chegue ao artista, roube música das gravadoras para acabar de vez com elas, vá aos shows, compre uma camiseta e entoe a canção. Pelo menos o dinheiro entra.
A mensagem é clara: a distribuição de conteúdo, do jeito que está hoje, não funciona mais como modelo de negócios. Radiohead sabe muito bem disso e publicou seu último álbum somente on-line. Sem falar do caso “Tropa de Elite”, que ia cobrir aqui, mas acabou ficando para trás.
Barateamento dos meios de
distribuição
Antes só a Big-Company-Inc-S.A. tinha dinheiro para bancar a distribuição
de informação, seja ela um texto, uma música ou um filme.
Todo mundo está cansado de ouvir, hoje todos podem ter um blog, distribuir
músicas, fotos, vídeos. Ficou barato.
O meio internet, os bits e bytes da grande rede, transformaram a distribuição em commodity, algo que a indústria custa a aceitar. Não é à toa que minha TV, meu jukebox, meu livro, meu jornal, todos são a internet. Continuo aceitando pagar para receber conteúdo como filmes, livros, etc… Mas prefiro a internet como meio. Ponto final.